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segunda-feira, dezembro 10, 2007

Gravidez na Adolescência- pela APF

Clica aqui para veres um documento em PDF da Associação para o Planeamento da Família sobre Gravidez na Adolescência.

Gravidez na Adolescência

Maternidade na adolescência: Portugal é o segundo pior da UE




30-Jul-2007

In http://www.esquerda.net/ (acedido em 8/12/07

Associação para o Planeamento da Família (APF) apresentou nesta segunda-feira a folha de dados do Projecto Rosa, " Gravidez e Maternidade Adolescente - Direitos Humanos e Saúde Sexual e Reprodutiva". Segundo esta folha, o número de bebés nascidos de mães adolescentes diminuiu de 6,24 em cada cem, em 2000, para 5,04 por cento do total de nados vivos, em 2005. Em 2004, Portugal era, no entanto, o segundo país da UE-15, com taxas mais elevadas de gravidez entre adolescentes.
A APF salienta ainda que os números reais da gravidez adolescente em Portugal não são completamente conhecidos, devido aos abortos praticados na clandestinidade.

Segundo a agência Lusa, a APF sublinha no documento que a maternidade em adolescentes acarreta consequências negativas aos níveis psicológico, biológico, social, educativo e económico. Para a APF, as consequências são ainda mais significativas em meios de pobreza, pelo que o "percurso para a inclusão social destas jovens e suas famílias é um desafio político e estratégico para o futuro e de cidadania no quotidiano".

A APF defende ainda, na folha de dados, que os jovens são "parte da solução e não do problema" em termos de saúde sexual e reprodutiva e salienta a urgência de dar todo o apoio, aconselhamento e cuidados de saúde aos mais novos.

Nos dados disponíveis de 33 países desenvolvidos, as taxas de aborto entre adolescentes são baixas (10 a 20 em cada 1.000) em países como República Checa, Inglaterra, Finlândia e Suécia, sendo o Japão o país que apresenta a taxa mais baixa, com 3,9 casos em cada 1.000.

As taxas mais altas, de 70 ou mais casos em cada 1.000 adolescentes, ocorrem na Rússia, Bielorrussia, Bulgária, Roménia e Estados Unidos.

O projecto Rosa (Responsabilidade, Oportunidade, Solidariedade, Acção) é uma iniciativa da APF, que pretende lançar na agenda pública os temas dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio relacionados com a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos.

quinta-feira, março 15, 2007

mulheres e homens




Vê esta apresentação em powerpoint e reflecte. Clica aqui.

quinta-feira, março 01, 2007

no útero materno

clica aqui para veres uma apresentação em slides sobre este tema.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

DEIXA UM POEMA OU UMA CARTA DE AMOR

clica em "comentários" para poderes escrever. Inspira-te!

ternura

poema de David Mourão-Ferreira

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

teia

poema de David Mourão-Ferreira

Se da baba o insecto faz a teia,
se com choro porém não sei prender-te,
do céu, que era de cinza, direi verde,
e da terra e das lágrimas areia.

E da forma direi que foi ideia,
para que à noite o corpo não desperte.
Do perdido direi que não se perde
se ao menos nestes versos se encadeia.

Do cabelo, se louro, direi preto;
do amor que sofri direi soneto,
ante a luz tão corpórea que o invade...

Nas redes da ficção ficarás presa
e acordarás, mais tarde, na surpresa
de ser outra por toda a eternidade.

excerto dos Lusíadas

poema de Luís de Camões

Tu, só tu, puro Amor, com força crua,
Que os corações tanto obriga
Deste causa à molesta(1) morte sua,
Como se fora pérfida (2) inimiga.
Se dizem, fero (3) Amor,que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga(4)
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras (5) banhar em sangue humano.


(1) preversa
(2) traiçoeira
(3) cruel
(4) alivia
(5) altares

amar

poema de Florbela Espanca


Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disse que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi p'ra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder...p'ra me encontrar...

quarta-feira, dezembro 13, 2006

comunicação e sexualidade

INTRODUÇÃO

Segundo Nuno Nodin, os jovens adultos (18-25 anos), constituem uma faixa da população bastante negligenciada nas intervenções para a educação sexual e simultaneamente com significativa necessidade das mesmas, atendendo às peculiaridades do processo de transição para a vida adulta, fase plena de ambiguidade, de factores de stress e de risco. Vejam-se as taxas de incidência de aparecimento de problemas psicopatológicos e da toxicodependência. Enquanto psicóloga do Serviço de Psicologia e Orientação, trabalho com jovens nesta faixa etária numa escola profissional pública e vou considerá-los a população-alvo para a planificação de sessões de educação sexual. Fala-se frequentemente que é necessário ir para além do dar informação em educação sexual- da necessidade de se desenvolverem competências, e de se abordarem os afectos. Assim, a minha planificação insere-se no desenvolvimento de competências generalizáveis também à relação afectivo-sexual: a comunicação assertiva. Ser assertivo é importante para manter uma auto-estima positiva, usufruir dos próprios direitos e respeitar os dos outros e insere-se numa postura positiva face a si e aos outros num “ganho eu, ganhas tu”. A assertividade inclui não só a auto-afirmação, como a expressão de sentimentos “positivos” e “negativos”. Por estas razões deverá constituir tema da educação sexual nas escolas.

SESSÕES
nota: o número de sessões fica ao critério de quem implementar este pequeno programa.

OBJECTIVOS
Conhecer e diferenciar os três estilos de comunicação: assertivo, passivo e agressivo
Reconhecer sinais verbais e não-verbais de cada estilo de comunicação
Reflectir sobre as consequências do uso de cada estilo
Tomar consciência do grau de facilidade/dificuldade em exibir uma comunicação assertiva em função dos interlocutores
Saber usar um estilo assertivo de comunicação
Aplicar os conhecimentos sobre assertividade a situações afectivas e sexuais
Auto-avaliação das aprendizagens sobre assertividade.

ACTIVIDADES/ESTRATÉGIAS
Visionamento de vídeo com pequenos diálogos ilutrativos de cada estilo
Apresentação da definição de cada estilo
Revisionando os vídeos, fazer listagem dos sinais
Debate sobre as consequências do uso de cada estilo, para o próprio, para o outro e para a relação ( enfatizar a atitude de ganhar- ganhar subjacente à assertividade)
Preenchimento individual de ficha de auto-avaliação e posterior debate com participação voluntária
Dadas algumas situações, imaginar um diálogo, dramatizá-lo e gravá-lo para autoscopia
Análise em grupo dos pontos mais e dos que é preciso melhorar
Identificar situações críticas nos relacionamentos: nas suas componentes afectivas e sexuais
Em grupo escrever diálogos assertivos para algumas das situações sugeridas anteriormente e dramatizá-las Reflexão em grupo sobre as aprendizagens feitas
Resposta a questionário para avaliação dos progressos pessoais percebidos.

RECURSOS
Vídeo - sobre os estilos comunicativos
Acetato com a definição dos estilos de comunicação
Ficha com situações descritas; câmara vídeo
Ficha de auto-avaliação dos estilos de comunicação
Quadro da sala Questionário elaborado para avaliação dos progressos pessoais percebidos

casos para ed. sexual

casos para debater



1- A João é uma "maria-rapaz". Não gosta de se arranjar e não tem paciência para as conversas das amigas. Prefere jogar futebol e passa muito tempo com os rapazes. Está apaixonada por um rapaz que a vê apenas como um boa amiga.

Dá-lhe três conselhos!


2- O Diogo é muito mais pequenos do que os seus colegas rapazes e está muito preocupado. Pensa que não vai ser um homem igual aos outros.


Dá três conselhos ao Diogo que o ajudem a sentir-se melhor!


3- A Magda não tem amigas. Pensa que todas as raparigas têm inveja dela por ser muito bonita e atrair muito os rapazes. Por vezes sofre com isso.

Dá-lhe três conselhos!


4- A Rosário está muito triste porque nunca namorou. Não gosta de se ver ao espelho e acha que não é tão bonita como as outras.


Dá-lhe três conselhos!


5- A Luísa está a fazer uma dieta porque acha que tem as ancas muito largas. Os colegas consideram que ela está demasiado magra. A Luísa não concorda e vai continuar a fazer dieta.



Dá-lhe três conselhos!


6- A Sílvia tem 14 anos. É a única rapariga da sua turma que ainda não tem o período menstrual. Está muito preocupada, mas não fala disso com ninguém.


Dá-lhe três conselhos!


7- O Alberto fica muito embaraçado sempre que se apercebe de que teve "sonhos molhados". Não sabe porque é que isso acontece e costuma esconder os lençóis com vergonha dos pais.
Dá-lhe três conselhos!


8- O Dinis está convencido de que o seu pénis é mais pequenino do que o dos amigos da mesma idade.

Dá-lhe três conselhos!

educação sexual nas escolas-documento da APF

POSIÇÃO DA APF SOBRE OS PARECERES DO CNE E DO GTES

I. EDUCAÇÃO SEXUAL E PROMOÇÃO DA SAÚDE NAS ESCOLAS – UM BALANÇO NECESSÁRIO
A promoção da educação sexual nas escolas em Portugal tem já uma história que conheceu progressos e recuos nas últimas duas décadas.
No plano legal, assistimos à produção de legislação cujo objecto foi a educação sexual. Foi o caso da Lei 3/84, da Lei 120/99 e do DL 259/2000.
Sendo os dois primeiros documentos legislação de carácter mais geral, mas que obrigam o Estado português a integrar e promover a educação sexual nas escolas, o DL 259/2000 dá indicações mais claras como é que esta integração deverá ser feita, nomeadamente, no projecto educativo de cada escola e nos planos de trabalho de cada turma.
Por outro lado, a Lei de Bases do Sistema Educativo situa também claramente a educação sexual na obrigação das escolas de contribuir para a formação pessoal e social dos seus alunos.
A tradução desta legislação em políticas e práticas no sistema educativo teve, também, sobretudo na última década e meia, momentos de significativa importância:
A criação da disciplina de Desenvolvimento Pessoal e Social e a elaboração dos respectivos programas pelo Instituto de Inovação Educacional que integraram uma componente de educação sexual (1990-1991)
A criação do Programa de Promoção e Educação para a Saúde que integrou, desde o princípio, a educação sexual como uma das suas vertentes de actuação no âmbito da educação e promoção da saúde
A criação do PEPT – Programa Educação para Todos que também integrou a educação sexual como uma das suas componentes
A criação da Rede de Escolas Promotoras de Saúde e o estabelecimento da sua comissão coordenadora
A realização do Projecto Experimental “Educação sexual e promoção da saúde nas escolas” pelo PPES e pela APF com o apoio técnico do Ministério da Saúde (1995-1998)
A publicação do “Plano de acção Inter-ministerial para a educação sexual e planeamento familiar” (Outubro de 1998)
Na inclusão parcial da educação sexual nos documentos orientadores do ensino básico
A elaboração e posterior publicação em 2000 do documento “Linhas Orientadoras de Educação Sexual em Meio Escolar” (1998-2000)
A celebração do protocolo com a APF em Outubro de 2000 e com o MDV e a FFCS em Dezembro de 2003
O envolvimento activo da CCPES na promoção da educação sexual no âmbito da educação para a saúde, sobretudo nos anos lectivos de 2000/2001 e 2001/2002.
Para além destes progressos, foi ministrada formação em educação sexual a centenas ou mesmo milhares de professores quer pelas estruturas centrais do ME, sobretudo o DEB (Departamento de Ensino Básico) e a CCPES, quer pelos centros acreditados para a formação contínua de professores, entre os quais a APF, quer nos cursos de formação inicial de professores e na formação pós graduada promovida por algumas universidades e escolas superiores de educação.
No entanto, e em sentido inverso a estas dinâmicas, em 2002/2003 iniciou-se um processo de desmantelamento da CCPES e o Estado pareceu preferir delegar nas ONG uma obrigação que lhe cabia fundamentalmente, demitindo-se de ter uma política activa nesta área. Mesmo assim, não foi posto em causa o quadro legal existente, nem foram produzidos novos documentos legais ou quaisquer orientações curriculares nestas matérias.
Assim, como ponto de partida, pensa a APF que, sobretudo na última década, foram produzidas legislação e políticas, foram reunidos saberes e foram formados recursos, foram realizados, testados e avaliados projectos experimentais na área da educação sexual e realizaram-se significativos progressos no âmbito da promoção e educação para a saúde nas escolas. Por último, foram estabelecidas parcerias entre ministérios e serviços governamentais e entre o Estado português e alguns actores da sociedade civil, nomeadamente algumas ONGs.
Estes progressos não podem nem devem agora ser ignorados ou menosprezados, sob o risco de desperdiçarem, mais uma vez, recursos, saberes especializados e experiência e conhecimento de terreno.
II. O PAPEL DA APF
A APF, ao longo destes anos, foi talvez, e sem falsas modéstias, a mais activa organização na sociedade portuguesa quer na defesa da educação sexual, quer na formulação de propostas ao Estado, quer no estudo e reflexão sobre o tema da educação sexual. (e) Foi também a estrutura não governamental mais activa no apoio às escolas em todo o território nacional.
Em primeiro lugar, e sendo a educação sexual no início da década de 80 um conceito e uma prática muito pouco conhecidos em Portugal, foi graças à APF que se iniciou, em 1984, um processo de elaboração, construção e propostas no sentido da definição de um quadro técnico e científico orientador da educação sexual. Tal foi feito através do recurso a especialistas nacionais e estrangeiros, através da promoção de seminários e jornadas de reflexão. Este processo foi realizado numa estreita ligação e aprendizagem com os próprios destinatários, nomeadamente com os professores, com os jovens e com as famílias dos jovens.
Ao longo destes anos, e numa perspectiva de defesa da educação sexual como um direito humano básico das crianças, dos jovens e das famílias, a APF apresentou propostas para a integração da educação sexual no sistema e nas políticas educativas e promoveu o debate público deste tema. A todas as equipas ministeriais desde o ano de 1984 foram apresentadas estas propostas. Todas as equipas com responsabilidades políticas receberam propostas da APF. Nestas, destacaremos:
Em Junho de 1988, a apresentação ao Grupo de Trabalho de Reorganização Curricular, do documento “Sugestões para a elaboração de um programa de Educação Sexual nos ensinos básico e secundário”
Em Fevereiro de 1990, a apresentação ao IIE de um parecer sobre os programas da disciplina de “Desenvolvimento Pessoal e Social” .
Em Maio de 1995, a proposta apresentada à Coordenadora do PPES para a realização de um projecto experimental de educação sexual, que foi aceite e deu origem ao projecto já referido.
A participação, entre 1998 e 2000, na elaboração das “Linhas Orientadoras para a Educação em Meio Escolar”.
A APF teve um papel pioneiro na formação técnica e científica dos formadores em educação sexual, os quais vieram a constituir-se importantíssimos recursos em todo o território nacional em actividades directamente promovidas pela APF mas, sobretudo, actuando como formadores das instituições formadoras de professores e outros profissionais, incluindo-se aqui o ensino graduado e pós-graduado no ensino universitário e politécnico. Neste contexto, a APF produziu e publicou estudos e manuais de apoio a professores para todos os níveis de ensino, incluindo também a educação pré-escolar e a educação especial.
A APF tem constituído um recurso essencial no terreno para as escolas e professores, produzindo materiais educativos destinados a jovens, a crianças e aos encarregados de educação, sensibilizando e formando os diversos actores da comunidade educativa, nomeadamente professores, outros funcionários e os encarregados de educação, dando aconselhamento e apoio técnico a projectos em desenho ou em curso e contribuindo na avaliação de projectos de educação sexual.
Nos últimos 5 anos, a APF apoiou, a pedido das escolas, mais de metade das EB2,3 e das escolas secundárias portuguesas, e ajudou muitas delas a construir e a implementar projectos duradouros de educação sexual.
III. O QUE FALTOU?
Até ao ano 1998, faltou uma vontade política clara de generalizar a educação sexual nas escolas. À excepção do PPES e do PEPT e de algumas iniciativas de carácter pontual na DEB, o ME nunca integrou a educação sexual nas suas responsabilidades políticas. Só após o referendo sobre a IVG em 1998, e no âmbito da elaboração do “Plano Inter-ministerial “ atrás referido, a generalização da educação sexual foi pela primeira vez enunciada como um objectivo a alcançar (em 2003).
Até 2000, faltou um quadro legal claro para que esta generalização se procedesse. A aprovação da lei 120/99 e o processo da sua regulamentação através do DL 259/2000 vieram suprir esta lacuna.
Até 2000 faltaram também orientações claras que enquadrassem este processo de generalização. A publicação das “Linhas Orientadoras” em Outubro de 2000 constituiu um passo de enorme importância na definição do modelo de educação sexual que se desejava prosseguir e nas orientações técnicas correspondentes
Depois de 2000 faltou principalmente a avaliação e o acompanhamento técnico deste processo, embora sejam de realçar algumas iniciativas da CCPES (inquéritos às escolas em 2001 e 2003) que, no entanto, ficaram incompletas. De facto, se muitas escolas e professores se envolveram em acções e projectos de educação sexual, este processo não foi generalizado.
Faltou também a avaliação da própria actividades dos actores principais, nomeadamente a CCPES no plano governamental e as ONGs.
Como já foi dito, a partir de 2002/2003 o ME interrompeu o processo que estava em curso.
As iniciativas tomadas em Maio/ Junho de 2005 pela actual equipa ministerial retomam a iniciativa política do ME em matéria da educação sexual, iniciando um processo público de reflexão e debate que reputamos da mais alta importância.
IV. SOBRE O PARECER DO CNE
A APF concorda, na generalidade, com o parecer do CNE, realçando nele os seguintes aspectos:
O CNE enquadra, quanto a nós correctamente, a educação sexual na Formação Pessoal e Social, tal como disposto na LBSE e, neste enquadramento,
O CNE sublinha o carácter obrigatório e não opcional da educação sexual, dado que a situa como uma finalidade do sistema educativo.
O CNE reafirma a natureza ética da educação sexual e a sua integração e contribuição para a educação em valores e para os valores.
O CNE considera a educação sexual como uma componente do ensino básico e secundário e não só do ensino básico.
O CNE realça a importância de se desenvolverem e consolidarem mecanismos de avaliação.
O CNE propõe que seja feita a avaliação das actividades no âmbito dos protocolos estabelecidos com as ONG.
O CNE reafirma a importância da articulação escola- família.
O CNE recomenda que a educação sexual seja considerada uma prioridade na formação inicial e contínua de professores.
O CNE baseia o seu parecer numa vasta documentação, nomeadamente em documentos que foram constituindo progressos essenciais na formação pessoal e social, na educação para a saúde e na educação sexual.
V. SOBRE O PARECER DO GTES
O Relatório Preliminar do Grupo de Trabalho de Educação Sexual retoma, no essencial, um conjunto de propostas que foram sendo experimentadas e desenvolvidas desde o início da década de 90 e que somente foram interrompidas em 2002/2003.
Neste sentido, consideramos que a “Nova Dinâmica Curricular para a Educação para a Saúde” não é nova, nem inovadora. De facto, o relatório não contem aprofundamentos importantes em relação a outros documentos anteriormente produzidos quer no âmbito da educação para a saúde e, muito mais, no âmbito da educação sexual.
Tão pouco o relatório propõe inovações no panorama curricular e nas estratégias de inclusão da educação para a saúde/educação sexual e aposta, tal como o CNE, na articulação entre a transversalidade nas disciplinas curriculares e o aproveitamento das áreas curriculares não disciplinares.
Este relatório é importante quando reafirma questões como o carácter obrigatório e prioritário da educação para a saúde, ou a necessidade da articulação escola/famílias, a articulação entre as escolas e os serviços de saúde ou ainda o carácter complementar do papel das ONG.
Por outro lado, tendo sido este grupo de trabalho nomeado para “proceder ao estudo e propor os parâmetros gerais dos programas de educação sexual em meio escolar”, há que situar este documento como um primeiro relatório, necessariamente geral.
Tem, no entanto, insuficiências claras e aspectos críticos que, de seguida, realçaremos.
Sobre o modelo proposto e a sua exequibilidade
O GTES retoma a proposta de que a educação sexual seja integrada na área da educação para a saúde o que, não sendo em si incorrecto, style="font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 9px;". De facto, embora a educação sexual tenha e seja uma componente de educação para a saúde, transcende a saúde para se situar também no campo mais geral do crescimento e da formação pessoal e social. É o que de resto acontece noutros países da União Europeia.
O GTES propõe um modelo que afirma ter elementos inovadores, aspectos que, realmente, não o são. Um exemplo do que afirmamos é o que acontece na pag.10 onde se refere que “De acordo com estudos recentes, a nova dinâmica curricular incluirá necessariamente estratégias como a promoção das competências sociais...”. Ora, o documento está a esquecer que esta inclusão estava já proposta em anteriores documentos orientadores da educação para a saúde e, também, de forma clara nas “Linhas Orientadoras” (Págs. 30, 68, 79 e 92), em que a aquisição de determinadas competências é um dos objectivos fundamentais da educação sexual e da educação para a saúde.
Os conteúdos temáticos que se propõem constituem propostas interessantes e oportunas, mas são extremamente vagos e carecem de uma rápida concretização para que possam ser implementados. Pelo exposto, não compreendemos como é que o GTES afirma que esta “Nova Dinâmica” pode começar a ser implementada dentro de algumas semanas. Nomeadamente, o documento quantifica, mas não é claro, à programação e aos conteúdos das distintas unidades temáticas e não é claro, também, nos conteúdos de educação sexual a desenvolver em cada ciclo de ensino.
Sobre a educação sexual
O GTES, na análise retrospectiva que faz, alude as “Linhas Orientadoras” sem se pronunciar sobre elas. Tal facto parece-nos estranho dado que, se um grupo é nomeado para “proceder ao estudo e propor os parâmetros gerais dos programas de educação sexual em meio escolar”, não pode ignorar o principal documento orientador que foi produzido no nosso país nesta matéria, o qual resultou de um projecto experimental de 3 anos e foi elaborado por uma vasta equipa técnica e apreciado por mais de uma centena de especialistas e instituições. Neste contexto, teria sido essencial que o GTES se posicionasse criticamente em relação às “Linhas Orientadoras” como faz o CNE e, nomeadamente, retomasse uma das questões centrais que fora objecto das polémicas recentes em torno da educação sexual: a saber, as questões referentes ao quadro ético e aos valores orientadores dos programas de educação sexual. Ora, sobre o quadro ético da educação sexual, o relatório do GTES é totalmente omisso
O documento limita a educação sexual aos 2º e 3º ciclos do ensino básico. De facto, a educação sexual é omitida no 1º ciclo e, no ensino secundário, apenas propõe a criação de Gabinetes de Apoio do tipo “Aconselhamento médico-psicológico”, actividade que não pode nem deve ser confundida com a educação sexual em contexto de turma.
Não se compreende, pois, porque se deixam de fora do acesso a programas de educação sexual quer as crianças quer os adolescentes. Por um lado, existem em Portugal e são positivas numerosas experiências e projectos de educação sexual (ainda que muitas vezes não sejam assim designadas) na educação pré-escolar e no 1º ciclo, em que se procuram construir estratégias de aprendizagem e de resposta à curiosidade características destas fases. Por outro lado, na fase final da adolescência, que coincide em linhas gerais com a frequência do ensino secundário, é essencial que os jovens, muitos deles já envolvidos em relacionamentos sexuais, e que são confrontados com muitos dos problemas justamente apontados nos trabalhos de Margarida G. Matos referidos, tenham a oportunidade de trabalhar e discutir questões relativas à educação sexual e à saúde sexual e reprodutiva. Ao contrário do que o relatório refere na pag.66, o projecto experimental “Educação sexual e promoção da saúde nas escolas” conseguiu desenvolver actividades de educação sexual nas escolas secundárias abrangidas, numa lógica transversal e existem actualmente projectos de educação sexual em muitas escolas secundárias no país. Por outro lado, em todos os países europeus com educação sexual nas escolas ela estende-se ao 1º ciclo e ao ensino secundário, pelo que discordamos da proposta do GTES.
Neste ponto é necessário que sejam bem claras as funções destes gabinetes de apoio técnico. É igualmente necessário que se clarifique melhor o papel, as funções e as competências dos professores tutores, para que se distingam claramente os níveis educativos dos níveis de aconselhamento e orientação, os quais pressupõem competências técnicas específicas que a maior parte dos professores não tem.
Ao abordar a formação futura de professores, o GTES não refere os Centros de Formação de Escolas e limita as entidades formadoras ao ensino politécnico e superior. Ora, um parcela importantíssima da formação contínua de professores, nomeadamente na área da educação sexual, tem sido assegurada pelos centros acreditados para a formação de professores, incluindo nestes os centros de formação de escolas.